O sonho de onze de cada 10 meninos brasileiros que curte futebol é se tornar um jogador profissional. É algo cultural, o pequeno imagina que cada campinho de chão batido é um gramado verde de um estádio lotado, com uma torcida ensandecida, cantando hinos e gritando por seu nome.
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| Dinho em ação! Imagem da internet |
Comigo não foi diferente. Torcedor do Grêmio em uma época fantástica dos anos 80 e 90 que influenciaram minha infância a adolescência vivia e respirava futebol, mas a época me proporcionou um dificultador para a realização do sonho – não existiam o Dinho e o Ronaldo Fenômeno. Talvez se eles já fossem jogadores profissionais naquela época, tudo poderia ter sido diferente.
Sim! Meu futebol podia ser comparado ao do Dinho, guardadas as proporções. Classificado como brucutu, gíria para os jogadores sem muita técnica, mas que utilizavam a força física para se imporem, esse volante sergipano multi-campeão era o exemplo clássico a ser seguido para quem como eu tinha poucos lampejos de genialidade. No meu caso estes corresponderam a 0,01% de toda minha produção futebolística. Por conta desta pouca intimidade com a pelota dos pés me renderam a ida para baixo das traves, onde tive relativo sucesso.
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| Ronaldo "Fofômeno" imagem da internet |
A verdade é que junto a isso havia a condição física, digamos que naquela época estava mais próximo para o físico de um dono de pizzaria do que para um atleta profissional, com isso sofria o chamado “buling”, que acabava sendo resolvido na base do soco e pontapé no final da aula, isso devidamente incentivado pela horda de colegas que desejavam ver confusão, quando a situação piorava sempre chegavam os amigos para reforçar a ação, boa época.
O importante é que graças ao “grande” Ronaldo Fenômeno, os gordinhos de todo mundo devem o fim da discriminação contra eles, vê-lo entrar em campo com aquela pança de tio aposentado rompeu definitivamente as barreiras do preconceito no mundo do futebol, e hoje meu sonho de ser jogador profissional poderia ser algo real.
A única tristeza que carrego em tudo isso é quando comparo o meu salário com o de qualquer perna de pau que veste um uniforme de clube profissional da Série A do torneio nacional, é tamanha que só pode ser dimensionada a marcação de um gol contra na partida final do campeonato.


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