Final do ano sempre proporciona ao Ser Humano a possibilidade de descobertas e surpresas e lembrei-me de uma frase que encontrei certa vez na internet e cujo autor desconheço que diz: “Às vezes quando tudo dá errado, acontecem coisas maravilhosas que jamais aconteceriam se tudo tivesse dado certo”. Neste último semestre da Faculdade, em que a fase final da graduação em Administração está cada vez mais próxima, pois só mês resta o desenvolvimento do trabalho de conclusão, esta constatação se mostrou corretíssima.
Uma das cadeiras que freqüentei era sobre Consultoria Organizacional, uma das mais esperadas e geradora de expectativa para ter contato, porque de forma esporádica e amadora presto algumas consultorias. Costumo dizer que o papel do Consultor é interessante – você acaba sendo pago por alguém para dizer como este alguém deve investir o próprio dinheiro no negócio que tem; se tudo der certo, o mérito é do Consultor, caso contrário, o único responsável é o cliente que não adotou as medidas e ações sugeridas.
Sempre observei os prazos de entrega de trabalhos e provas, por entender que minha futura profissão exige realmente isto, o trabalho com prazos que devem ser observados e cumpridos. Uma destas tarefas foi realizada através da internet, a realizei, revisei, gravei e postei dentro dos prazos propostos. Para minha surpresa, recebi a divulgação da nota: zero! Sim, havia tirado zero, por um simples e único motivo – a prova chegou em branco no sistema da Universidade. Até agora ninguém entende o que ocorreu, deve ser um destes terríveis dogmas da informática, por mais que tente se entender nada se descobre.
Lembrei dos tempos de Escola, este zero em Consultoria Organizacional – mesmo injusto – entraria no pódio de outras duas provas com igual classificação. A primeira ocorreu na sexta série, por mais que a Professora Magdalena tentasse, as equações e todos os seus afins pareciam algo gerado por um ser extraterreno e a outra no segundo grau foi aplicada por uma maravilhosa Professora de Inglês, Suzi, perfeita mestra, mas que me causou a perda de uma bic que foi quebrada tal a ansiedade em responder os questionamentos na língua bretã.
Só havia uma decisão correta a tomar – ligar para a Universidade, argumentar com a Professora e pedir nova chance. O fiz sem muita convicção, porque nossa turma teve problemas administrativos bem extensos nestes quase 04 anos e eis que para minha surpresa recebo uma ligação da Professora me informando que meu caso havia sido exposto a Coordenação do Curso e por meu histórico havia sido concedida nova oportunidade de fazer a prova. Realmente foi uma excepcional notícia! Refiz, gabaritei e a prova e posso dizer que fui de 0 a 10 em poucos dias!
Quando recebi a aprovação da cadeira de Consultoria e fiquei apto a começar a produzir o Projeto para o trabalho final, fiquei um pouco inseguro e me lembrei daquela tão atenciosa Professora. Pensei em pedir-lhe auxilio, mesmo sabendo que ela não tinha obrigação em realizá-lo. Ponderei e percebi que já tinha um não; bastava torcer para receber um sim. Entrei em contato e para minha surpresa, a resposta foi afirmativa, e para surpreender mais ainda, ao perguntar como poderia pagá-la ela disse que nada cobraria que tinha gostado do projeto e que faria algumas pesquisas para se inteirar do tema e voltaríamos a conversar.
Cerca de dois dias depois, ela me contatou e antes de darmos sequência as nossas trocas de impressões, ela com uma sinceridade desconcertante me disse que seria chata, pegaria no pé para consertar os mínimos detalhes do trabalho, era pegar ou largar. Recordei de outro professor que havia comentado serem os melhores orientadores os possuidores dessa qualidade: os chatos!
O projeto foi desenvolvido e entregue, mas o mais importante foi o conhecimento e a troca de impressões e experiências conseguidas. Esta espetacular Professora mostra um profissionalismo, uma competência e uma entrega fora dos padrões, extremamente solícita, dona de idéias e metas que acabam sendo inspiradoras. É fantástico perceber a sua visão de mundo, de mercado. Recorda-me uma palestra em que foi exposto, existir um percentual de apenas 3% de alunos que acabam realizando alguma diferença dentro do mercado de trabalho. Tenho certeza que ela fez parte deste seleto grupo de alunos.
Uma Professora tão abnegada quanto esta, proporciona um salto de qualidade na relação professor-aluno, deixando mais latente a diferença entre simples professores e Mestres. Os primeiros se preocupam unicamente em despejar o conteúdo sobre os alunos, os segundos agem exatamente iguais a ela, apresentam alternativas de escolha, mostram os caminhos, os objetivos escondidos, acabam sendo os responsáveis diretos para o aparecimento destes 3% que farão a diferença no futuro.
Independente do que pensem, os Mestres são os grandes formadores de opinião, e encontrar um em nossa formação é uma dádiva, um verdadeiro presente. Eles mostram que o comprometimento com a profissão que abraçaremos é o único caminho que nos conduzirá a excelência, a uma tarefa bem concluída, reforçando a esperança em uma sociedade mais justa e igualitária. Não tenho dúvidas, a Professora Alana fez a diferença em minha carreira e reforçou idéia em seguir meus planos profissionais. Pensar que, se tudo tivesse dado certo com minha prova, não teria oportunidade de conhecê-la, às vezes é preciso agradecer, mesmo sem saber muito porque aquele contratempo ocorreu.
Muitas vezes um zero em nossas vidas, proporciona caminhos tão inesperados que acabamos ficando felizes com este.
ResponderExcluirMestre, não é aquele que educa, mas sim, o que mostra o caminho a seguir!!!
Amei o texto!