A melhor maneira de compreender o que nos dizem, é enfrentar semelhante situação. Tantas vezes ficava imaginando o porque as pessoas mais velhas falavam com uma nostalgia totalmente percebida sobre suas infâncias. Era algo inconcebível a quem na época estava lutando incessantemente para deixar de ser visto como criança.
Passadas algumas décadas, compreendi exatamente o que diziam. Quando vejo as crianças brincando despreocupadamente, criando heróis e amigos imaginários ou reais, sem ter nenhuma preocupação mais latente; quando as crianças tomadas de sua ingenuidade lançam pérolas que nos conduzem ao riso frouxo, sei o porque os adultos diziam: "Que tempo bom esse!"
Nestes dias, praticamente fui atropelado por um menino de no máximo seis anos que se dirigia apressado à tabacaria do Shopping. Levava apertada na mão, uma nota de R$ 10 que mostrou ao atendente com a pergunta que todos fizeram em algum momento - "moço com esse dinheiro eu consigo comprar quantos pacotes de figurinhas?"
Ah! Naquele momento viajei no tempo e me vi fazendo o mesmo, e tive saudades daquele moleque que ainda guardava a ingenuidade dentro de si, e retornando para quem ele se transformou, lembrei de Casemiro de Abreu que brilhantemente, no poema << Meus Oito Anos >>, presenteou-nos com os seguintes versos: "Oh que saudades eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais..."
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