Nestas minhas constantes
leituras encontrei um trecho de texto que afirmava ser um exemplo que as
pessoas estão próximas de morrer quando seus arrependimentos tornam-se
constantes companheiros. Caso este pensamento seja correto então estou próximo
de fechar as malas e iniciar a viagem rumo ao encontro da verdade inapelável,
não somos eternos neste mundo. Claro, existe a possibilidade deste pensamento
catastrófico não passar de lenda urbana, sendo assim, o arrependimento nada
mais é do que um passo importante para a auto-descoberta e crescimento.
Independentemente da
veracidade ou falta dela nesta questão, percebo que ultimamente meus
pensamentos exigem uma urgência para reconhecer as falhas cometidas, os pontos
em que humanamente fraquejei nesta caminhada. Não sei se isto ocorre inspirado
pela fase incomoda que enfrento onde os questionamentos se tornam uma
progressão geométrica e as inquietações e indefinições buscam alento em livros
de psiquiatria.
Constatei que durante estas
quase quatro décadas já fiz quase tudo de lícito e também algumas coisas
ilícitas (só não matei, me prostitui, trafiquei e me droguei), por isso, não me
preocupo com o julgamento das pessoas, sinceramente creio que o juiz mais
severo que pode me sentenciar reside em meu intimo e ele, noite após noite me
inquire ao deitar se o caminho percorrido é o correto. Nestas horas me recordo
do poema em Linha Reta do mestre Fernando Pessoa, que diz não conhecer ninguém
no mundo que tivesse levado porrada, eram campeões em tudo.
“... Quem me dera ouvir de
alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?...”
Invariavelmente se encontra em
todo o canto pessoas que nunca cometeram um deslize comportamental, que são
modelos de retidão e isto me invade com uma vergonha lancinante. Sim, uma vergonha me impele a questionar o que
faço neste mundo tão perfeito em que ninguém falha. Porque, logo eu, um ser tão imperfeito, tive que
contaminar este ideal de humanidade?
Como expus, já cometi sim
alguns desvios de caráter que podem ser classificados em diversos grupos e
divididos em uma imensidade de sub-grupos.
Falei mais do que deveria de algumas pessoas e assim auxiliei a denegrir
suas imagens, trapaceei em jogos, tomei decisões pensando somente em mim com
uma grande dose de egoísmo, desejei mais do que poderia ter, fui infiel, mantive
conversas impróprias sendo comprometido, propus para mulheres situações que não
eram licitas, enfim, que tipo de pessoa eu sou?
Quando olho para o espelho
tentando encontrar refletido nele algum sinal que possa me demonstrar
efetivamente onde se esconde esta resposta, encaro um vazio sem fim. Talvez seja
um canalha, um crápula que cria inquietação negativa às pessoas, um moleque
imaturo que evoluiu somente cronologicamente, um desequilibrado que necessita
urgentemente de tratamento e internação. Realmente não sei.
A única coisa que realmente
compreendo é que não se passa incólume nesta vida, que toda a ação causa uma
reação e que haverá uma cobrança de preço, pode ter certeza amigo, cedo ou
tarde esta fatura estará em nossas mãos.
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