segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Crônica Torta - Muitas indagações e nenhuma constatação!

Nestas minhas constantes leituras encontrei um trecho de texto que afirmava ser um exemplo que as pessoas estão próximas de morrer quando seus arrependimentos tornam-se constantes companheiros. Caso este pensamento seja correto então estou próximo de fechar as malas e iniciar a viagem rumo ao encontro da verdade inapelável, não somos eternos neste mundo. Claro, existe a possibilidade deste pensamento catastrófico não passar de lenda urbana, sendo assim, o arrependimento nada mais é do que um passo importante para a auto-descoberta e crescimento.

Independentemente da veracidade ou falta dela nesta questão, percebo que ultimamente meus pensamentos exigem uma urgência para reconhecer as falhas cometidas, os pontos em que humanamente fraquejei nesta caminhada. Não sei se isto ocorre inspirado pela fase incomoda que enfrento onde os questionamentos se tornam uma progressão geométrica e as inquietações e indefinições buscam alento em livros de psiquiatria.

Constatei que durante estas quase quatro décadas já fiz quase tudo de lícito e também algumas coisas ilícitas (só não matei, me prostitui, trafiquei e me droguei), por isso, não me preocupo com o julgamento das pessoas, sinceramente creio que o juiz mais severo que pode me sentenciar reside em meu intimo e ele, noite após noite me inquire ao deitar se o caminho percorrido é o correto. Nestas horas me recordo do poema em Linha Reta do mestre Fernando Pessoa, que diz não conhecer ninguém no mundo que tivesse levado porrada, eram campeões em tudo.

“... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?...”

Invariavelmente se encontra em todo o canto pessoas que nunca cometeram um deslize comportamental, que são modelos de retidão e isto me invade com uma vergonha lancinante.  Sim, uma vergonha me impele a questionar o que faço neste mundo tão perfeito em que ninguém falha.  Porque, logo eu, um ser tão imperfeito, tive que contaminar este ideal de humanidade?

Como expus, já cometi sim alguns desvios de caráter que podem ser classificados em diversos grupos e divididos em uma imensidade de sub-grupos.  Falei mais do que deveria de algumas pessoas e assim auxiliei a denegrir suas imagens, trapaceei em jogos, tomei decisões pensando somente em mim com uma grande dose de egoísmo, desejei mais do que poderia ter, fui infiel, mantive conversas impróprias sendo comprometido, propus para mulheres situações que não eram licitas, enfim, que tipo de pessoa eu sou?

Quando olho para o espelho tentando encontrar refletido nele algum sinal que possa me demonstrar efetivamente onde se esconde esta resposta, encaro um vazio sem fim. Talvez seja um canalha, um crápula que cria inquietação negativa às pessoas, um moleque imaturo que evoluiu somente cronologicamente, um desequilibrado que necessita urgentemente de tratamento e internação. Realmente não sei.


A única coisa que realmente compreendo é que não se passa incólume nesta vida, que toda a ação causa uma reação e que haverá uma cobrança de preço, pode ter certeza amigo, cedo ou tarde esta fatura estará em nossas mãos.

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