segunda-feira, 11 de junho de 2012

Amores de sete semanas

Dizem que o principal combustível dos escritores, poetas e pseudo-poetas - onde me incluo - é o amor. Pode ser aquele que transforma a vida em uma tortura romana quando está distante ou que transforma os caminhos cinzas da cidade na estrada de tijolos do Mágico de Oz. Acredito que independente de quem somos, o amor é o motivo pelo qual continuamos vivos, esperançosos e confiantes.

Ultimamente ando fascinado em tentar compreender, de forma singela, a eternidade dos amores de sete semanas. Sete semanas multiplicados pelos sete dias, compreendem um período de 49 dias, espaço de tempo em que as declarações de amor eterno já tornaram-se totalmente rotineiras! Cada um conhece pessoas que viveram estes efêmeros amores, não de carnaval, mas o de dúzias de dias, de algumas parcas semanas e inéditos meses. Ah, já ia me esquecendo, existem alguns exemplares que perfazem horas - mais ou menos o tempo de uma balada, uma passada no motel e um desejum.

Tem sido tão fácil amar e não existe um culpado específico por este fato, nem tente colocar esta culpa na mídia ou no comércio que deturpa todas as datas de comemoração espiritual, cívica e afins. Pensando bem, talvez a culpa seja do MEC, já que precisamos aprender a conjugar os verbos de 1ª, 2ª e 3ª conjugações e qual o mais fácil para as ávidas crianças que o verbo amar? Devíamos sim, nas aulas de português ser seriamente alertados da importância do verbo Amar, que ele não pode ser usado de qualquer maneira tal vírgula ou ponto final de orações.

Acaba-se assimilando de forma tão simplista que amar é o ato de gostar de alguém. Pronto! Errado! Gostar é totalmente diferente de amar. Gostamos de bala de menta, de noites enluaradas, de manhãs de sol e caminhadas no parque, amar é aceitar o outro com seus defeitos e mesmo assim desejar adormecer e amanhecer ao seu lado, é segurar a barra de não ter grana e continuar acreditando, é enxergar além, se mostrar como se é, sem subterfúgios, sem disfarces, é permitir que o sentimento fale, que se amadureça e envelheça juntos. Amar é permitir muito mais do que uma simples transada, um café da manhã e um adeus, para ter isso você pode e deve usar sim um eu te gosto!

Portanto, o amor pode ser comparado aos melhores vinhos repousados nas adegas francesas, ele vai amadurecendo e ganha corpo e qualidade. Você "experimenta" ao longo da vida diversos amores, o primeiro geralmente platônico, o da adolescência quase sempre temperado com muito ciúme, o da fase mais madura em que os pares nem sempre estão na mesma frequência, mas logo se é apresentado ao verdadeiro amor, o maduro, aquele que deve ser apreciado em momentos especiais. Independente de que fase você se encontre, lembre-se o mais importante não é a quantidade e sim a qualidade do amor vivido.

E ele pode acabar? Sim, pode. Somos humanos, animais geralmente racionais e por este básico motivo podem deixar de amar, e assim sendo, transformar uma declaração sincera na maior de todas as mentiras; vou te amar para sempre. Caso isso aconteça com você, comigo ou até mesmo com o vizinho da esquina, o importante é saber ser possível recomeçar e ficar preparado para o próximo amor. Relaxe e deixe acontecer, só por favor, faça a distinção do que é gostar e o que é amar.

"A gente conhece milhares de pessoas, e nenhuma delas te toca realmente. Então, conhece uma pessoa e sua vida muda, para sempre!"

domingo, 10 de junho de 2012

XXX

Aos poucos as luzes dos apartamentos se apagam,
Creio que neste momento seus moradores se entregam,
Travesseiros prontos para receber pensamentos e anseios,
prontos para se transformarem em realidade,
Iluminando as almas em cada despertar!

Tua Máscara

Máscaras! Pensei em como iniciar esse post; digitei umas dez vezes seu início e em cada uma delas encontrei alguma imperfeição, algumas meloso demais, enfeitado, suave, quando ele é uma constatação encontrada em uma tarde de outono.

Apenas não consigo continuar, porque a repulsa que senti foi responsável por matar a admiração e o respeito que trazia em mim. O que adianta - me peguei a perguntar - ela ser tão dócil e amável para os outros, se na verdade, reside beleza somente em sua face?

Sim, máscaras servem exatamente para isto; guardar a identidade e deixar na sombra e na escuridão os traços imperfeitos, a metade de maldade, um tanto de insanidade, um punhado de irrealidade em um átimo de sinceridade.


XXIX

Perde-se tanto pela boca,
motivo de prazer e de dor,
a partida do falar,
nesta reflexão difusa,
deixada no quarto.

XXXI

Liberdade... liberdade,
O encanto findou e livre estou,
Grita o palhaço equilibrista,
ao ver no chão, a flor que ela deixou!


Sopros

Inicio e fim, sempre no mesmo sopro,
intenso, majestoso, luxúria e desejos.
Na simplicidade de teus olhos,
o convite para meu sonho!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Alícia


Quando você é novo em algum lugar, uma das primeiras atitudes a serem tomadas é observar o ambiente e as pessoas, era assim que Henry procedia. Naquela noite não poderia ser diferente. Chegou cedo, procurando um bom posto de observação. Sentou no fundo da sala, no encontro entre duas paredes, deixando suas costas a salvo e todo o resto do ambiente passível de conferência.

Devidamente instalado, nenhum detalhe lhe escapava, atento como fora treinado aproveitava os instantes para realizar suas análises e mentalmente traçava o perfil de cada um que aparecia. Tudo se encaminhava perfeitamente, até que sua atenção foi totalmente seqüestrada por ela!

Alicia devia estar na casa dos trinta anos – imaginava ele – idade perfeita, onde rompem a fronteira das meninas e se transformam em verdadeiras mulheres; destemidas, tomadas de desejos e principalmente força para serem felizes. Ela vestia o uniforme da empresa na qual trabalha, blusa branca, rabo de cavalo prendendo seus cabelos negros e junto ao colo uma pasta transparente com detalhes vermelhos. Na face havia um sorriso radiante emoldurando seus lábios. Henry ficou tomado de perplexidade e curiosidade. Há algum tempo não via mulher tão bela naquele prédio.

Começou a prestar atenção a cada movimento de Alicia, como uma tentativa desesperada de descobrir se suas primeiras impressões estavam corretas. Desejava cruzar seus olhos com os dela, porém na menor possibilidade, desviava-os. Por alguns parecia ter descoberto uma pitada de tristeza naquele olhar, teve vontade de abraçar-lhe dizer que aquilo passaria, de fazer carinho em seu rosto e apertar sua mão, mas era novo ali e não poderia causar uma má impressão. O que dizer? Como proceder?  Estava velho para esse tipo de abordagem, se sentia assim, restou-lhe apenas sonhar...