Passei a noite com outra mulher. Ela chama-se Anne Hathaway! Sim, é verdade, mas antes que seja classificado como louco, explicarei melhor minha afirmação. Para quem não a conhece, informo que protagonizou alguns filmes sem graça no inicio de carreira, estilo da tradicional Sessão da Tarde e outros que obtiveram uma notoriedade maior. Entre seus principais personagens destaco a esposa de um dos cowboys durões de Brokeback Montain, a Rainha Branca em Alice no País das Maravilhas, uma secretária que complementava sua renda fazendo bicos como atendente de disque-sexo em Idas e Vindas do Amor, além é claro do filme o Diabo veste Prada, onde desempenhou o papel de secretária da editora-chefe-megera-egocentrica da mais importante revista de moda do mundo. Foi com esta Anne que passei a noite. Compreendido?Especialmente neste filme, os olhos amendoados de Anne exercem um magnetismo extrapolador para os que acompanham a estória da película. Ela inicia o filme como uma mulher com a vaidade beirando a inexistência, não se importando muito com a combinação perfeita de cores e estilos, cabelos desgrenhados, rosto lavado, enfim, características que para o mundo da moda é um pecado mortal. Preocupa-se em estar presente com amigos, divide seus sonhos, corre atrás dos objetivos traçados, empenha-se em estar junto ao namorado, possui riso fácil, olhos brilhantes, ou seja, uma mulher de verdade, daquelas que você encontra em um bar e aposta as fichas para conhecê-la, porque sabe que realmente vale à pena.
Na medida em que a exigente e possessiva chefe lhe pressiona uma metamorfose toma conta de sua vida; as ligações profissionais tornam-se constantes, sem hora para ocorrer e com as mais estapafúrdias tarefas. Consequentemente ela passa a vestir-se e se produzir conforme o meio profissional. Respira e fala somente
sobre o trabalho, as tendências da moda, estilistas famosos e suas produções. Tudo acaba tornando-se supérfluo, falta ao aniversário do namorado por causa de um compromisso profissional, explode com os amigos, perde a medida. Em determinado momento ao realizar um “DR” escuta enquanto o celular toca desesperadamente que, geralmente se atende às ligações de alguém com quem se tem uma relação. Queixa infundada do rapaz, dirão as feministas mais radicais, outras entenderão perfeitamente suas reclamações. No final do filme ela consegue perceber que as constantes desculpas pautadas pela surrada frase “eu não tive escolha” a estava empurrando para um caminho sem volta. Com coragem e força, modificou aquele quadro desfavorável e se redescobriu.Tudo isso para dizer realmente o que? Que esta Anne chorando prantos sentidos enquanto percebia que ia perdendo seus maiores tesouros, demonstrou com uma sensibilidade impar todas as pressões e transformações pelas quais as mulheres estão sujeitas. A vida é feita de escolhas, certas ou erradas elas dizem respeito a cada um, e, sim, sempre há condições de se escolher, existe um rápido instante em que se pode decidir, discernir entre o certo e o errado, parar ou continuar.
O que vejo tantas vezes, são mulheres que se esquecem do que verdadeiramente são feitas, deixando de lado sua essência, vendendo não o corpo mas a alma em nome da ascensão profissional, abdicando dos bons e verdadeiros prazeres da vida, jogando pela janela o que lhes é mais precioso: a capacidade de sorrir, da leveza, não acreditando na sua capacidade de renovação. Não deixam nascer a Fênix que aguarda latente para voar.
Tornou-se assunto já tão batido em meus textos a importância da produção feminina, a impressão causada por um bom perfume, roupas que lhe favoreçam, sapatos adequados entre outros detalhes não menos significantes, tudo traz um bem ime
nsurável ao ego feminino, mas não há, porque cruzar a fronteira para o estado de futilidade, do vazio eterno para o qual algumas se exilam em nome da carreira.
Passar as noites com outra mulher, às vezes é extremamente benéfico, porque esse tempo com Anne foi uma das melhores experiências que tive!
Passar as noites com outra mulher, às vezes é extremamente benéfico, porque esse tempo com Anne foi uma das melhores experiências que tive!

Ela apresentou-me com maestria todas as mulheres que conhecemos e
com seus olhos amendoados e sorriso mágico, reforçou a certeza de que sou agraciado po
r ter ao meu lado uma mulher que consegue encontrar o equilíbrio entre a profissão e a vida pessoal. Alguém que com certeza já teve seus momentos de desencontro, mas que soube dimensionar a importância de
cada conquista e reencontrou o caminho a percorrer, num ritmo
que lhe é positivo.
Essa moça americana que fará 29 anos passa uma mensagem bem clara no filme, e se você também conseguiu percebê-la, seja uma mulher de verdade, retome as rédeas de sua vida, não perca o que de mais belo existe, as tuas imperfeições, as dúvidas e temores, estes os quais muitas vezes lutas desesperadamente para extinguir, porque são eles que te fazem única e sendo assim, rara!
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