quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Luna

Meus dedos percorrem o véu da noite,
Esperançoso de ouvir teu canto,
beijar tua face, na imensidão de teus domínios,
Bellla Luna
ais de saudade soltos no ar,
mãos que não se tocam
sonhos terminados nas curvas perdidas,
Triste respirar, pensamentos guardados,
emoções semeadas nas armadilhas do tempo,
com a chuva lavando e o mundo a espreitar,
coração dispara ao pensar na idéia de outra vez,
poder te encontrar!

Olho ao redor

Na praça onde o mal me cerca,
Sem o sol aparecer no horizonte
e a noite fria parece não ter fim,
é justamente lá que percorro,
cada pedaço de chão em busca
do que resta de mim,
sem esquecer de sorrir para você!

Corações Envenenados

Poemas que não reagem, são moradia de corações envenenados;
enquanto os sinos da Catedral quebram os vidros que aprisionam o mal,
eu vejo os muros levantados e as cortinas abaixadas.
Talvez sejam apenas alucinações, as ruas abrirem-se qual meu coração
esquerda, direita, não importa a direção se cada uma me distancia de você
Aumentam meu sofrer, o desejar sem ter o direito,
Esse é o verdadeiro poder, querer o algo mais;
ensina a respirar, a sobreviver neste mundo de ilusão,
Sombreado de cinza em que se tornou meu viver,
Um pedaço de nada, onde os cegos enxergam e conduzem os cães para passear...
Porto de poemas que não respondem, não escutam, não existem
onde apenas se sobrevive encostado no muro de ilusão
presos na cerca da construção, local dos corações envenenados
Repletos de solidão, ódio e rancor, nunca saberão o poder da oração na escuridão
Talvez o homem ainda possa erguer-se em meio da multidão
Gritando, salvar sua ilusão, sobreviver a mordida dos leões
do dilacerar da alma, recuperando o resto de força que lhe resta
Enquanto os poemas jazem esquecidos nas cartas de amor
rasgadas e espalhadas pelo chao da cidade sem fim...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Aninha

Agora há pouco estava imerso no mais profundo devaneio
Não conseguia discernir entre as imagens criadas por entre a névoa
Ancorado neste porto louco e sombrio passei a vivenciar

Lampejos de consciência que tentavam mostrar-me às saídas possíveis
Uivos frenéticos dos cães assustados rasgavam ameaçadoramente à noite
Coberta pela colcha mágica formada de estrelas cintilantes
Inspiração divina, brilho vivo a lembrar em cada segundo
As mais loucas histórias de casais apaixonados

Deitados lado a lado na relva ainda úmida
Unem-se em carne e alma através das juras eternas
Respeitoso espetáculo vivido intensamente
Através dos incontáveis anos, séculos e milênios,
Nutrido pela vontade sublime e esplendorosa
Tangente em cada centímetro do corpo humano.
Incessante é a busca iniciada em torno

Da nova e muitas vezes desconhecida sensação,
Assusta-nos a idéia do fogo que arde sem queimar

Guerreamos uma batalha sem adversários, mortos ou feridos
Assim mesmo continuamos a empunhar a bandeira
Maior do estado soberano de nossas vidas
Aquela que tremula em nossos corações enquanto beijamos!

Mano

Teus pensamentos leves como a brisa do final da tarde
Ainda, por mais teimosos que sejam;
Inconscientemente levam-te ao mais distante dos
Lugares, o início da busca pelo teu “eu”
Onde cada nova descoberta mascarada pelo véu
Rubro da vergonha humana, usado por todos,

Remonta o antigo passado dos
Ilustres desconhecidos que se cruzam
Buscando de forma quase imperceptível
Esconder o semblante verdadeiro e presente
Impregnado na face serena e
Refletida nos olhos faceiros e inquisitores
Onde possuímos o temor de sermos descobertos.

Certos que nosso disfarce será posto à prova
Escapamos, no cavalo alado dos sonhos onde o
Ruidoso soar de suas asas, acorda-nos e;
Vislumbramos ao longe, a centelha do fogo
Aquecendo e mantendo viva nossa alma!!!

Tempestades e Destemperos

Enquanto o sol estiver brilhando no firmamento
Raios secam a grama úmida
Incrustada e repleta das lágrimas que correm pelas nossas faces,
Fruto de todas as frustrações impostas pelo Senhor dos Tempos
Viveremos em constantes batalhas contra aquele a quem
Sempre iremos acusar de ser o lúdico monstro,
Que a cada hora transcorrida
Queima na fogueira armada em nossa alma as
Ultimas esperanças que nós, pobres mortais
Insistimos serem nossa tábua de salvação
Ressoa-nos no fundo dos sentidos a voz instantânea e latente a lembrar:
Ainda que nos façamos de desentendidos a força de que somos possuidores.
Saberemos que após a maior das tormentas conseguiremos
A garra necessária, o instinto de sobrevivência
Único e vivo em pessoas de fibra, para nunca abaixarmos nossa guarda
E ao descer do vale tenebroso repleto de sombra
Estaremos dando o passo inicial para a sustentação e cura de nosso ser
Passados os primeiros efeitos desta batalha
Incessante pela conquista do tudo e do algo mais
Notamos, mesmo que teimosamente, as pessoas
Queiram se proteger e manter-se afastadas,
Onde quer que estejamos, ficaremos guardados em seus corações!!!

Porto Alegre

Porto dos casais, leal e valorosa cidade
Orgulho de seus filhos, legítimos ou adotados, a
Referência aos que acreditam na pacífica convivência de
Todas as tribos, de todos os gostos, de todos os amores!
Observa o movimento constante em teus parques:

Alegres, é assim que encontrarás à todos!
Lindos caminhos, por tuas estreitas e largas vias
Escoltam-nos ao encontro do teu mais belo postal,
Gostamos e como torcemos para no final do dia,
Refletir, enquanto admiramos o Por do Sol do Guaíba a
Especial e inigualável oportunidade de viver em teu seio!

Meus ensinamentos!

Outra vez fecho os olhos azuis e imagino tua
Linda voz a contar-me as mais belas estórias
Inicio um passeio calmo e revelador em um mundo
Nunca antes pisado por mim, do qual em minha estada
Apenas tenha escutado rumores da existência!

Me fogem as palavras e fico tal criança
Ao deparar-me com tamanha beleza e delicadeza
Cuidadosa como poucas pessoas seriam, lembra-me que
Há pouco tempo atrás, numa das tantas manhãs
Aquecidas pelo astro rei, ao servir-me o café
Dizia-me: “O amor é como as flores deste jardim”
Onde já se viu! - pensei com o aval de meus 12 anos.

Resta-me hoje, passados tantos anos a
Imortal certeza que estavas certa! Que falta fazem os
Brancos cabelos teus, quantos ensinamentos
Escutei sem dar o merecido valor
Inconstância, esse é o nosso maior defeito!
Refeito de todas as emoções arrebatadoras,
Olho no horizonte e percebo que sempre estivestes comigo!

Românticos

Românticos. Somos pobres tolos em acreditar

Onde estejamos nas vãs palavras proferidas por

Suas majestades, conquistadoras das ilusões!

Ainda insistimos na antiga fórmula,

Caduca sim e já ultrapassada, que

Apenas viveremos a plenitude das sensações

Resultantes de nossas sábias decisões, repletas do

Orgulho tão enraizado em nossa alma, corpo e mente

Libertos dos preceitos que a sociedade

Impõe-nos a cada abrir de olhos!

Não existe, e discordo de quem

Assim disser ao contrário

Demonstração da pureza dos sentimentos

Repleta dos maiores significados que o

Espetacular, especial e estonteante beijo!

Sim, há algo de mais belo que ele?

Compare, veja se algum outro ato do

Homem pode transmitir tamanha beleza!

Recorde como os corpos dos amantes ficam tomados da

Excitação do momento sublime, o início de tudo!

Sem pudores, entregamo-nos de corpo e alma,

Tocando como mágica a estrela mais bela.

Estrela brilhante, intensa, tal o olhar

Latino que utilizado por nós como arma de sedução,

Lança aos corações a certeza, única e

Imprescindível que vale a pena ser um tolo!

Yo

A noite passada tinha deixado suas marcas espalhadas

No chão do quarto, pela sala e banheiro.

Deliciosa! É assim que classificava a companhia morena!

Estava com um sorriso estampado no rosto, quando

Ressurgiu por entre as cobertas, a calcinha preta que

Sucumbiu aos desejos daqueles dois, arrancada com volúpia! Tentava

Organizar um pouco aquela bagunça enquanto fazia desjejum.

No quarto, Verônica ainda dormia extasiada.


Rapaz - pensou ele a primeira vez que a viu - essa mulher deve ser

Intensa! Seus olhos soltavam flechas de sensualidade,

Bastaram alguns minutos e ele já queria lhe possuir.

Era uma mulher de seus 30 anos, maravilhosa, seios lindos, coxas grossas, uma

Incrível máquina que exalava desejo por cada poro!

Ria ele, agora, enquanto via o dorso nu de Verônica na cama,

Onde trocaram as maiores declarações de amor!


Carinhos, cada centímetro dos corpos percorridos pelas suas bocas e línguas,

Enquanto os gemidos ganhavam a noite silenciosa,

Ressurgia neles a certeza que se completavam.

Verônica, ele lembra bem, antes de chegar ao clímax, olhou-o e falou:

Amo você! Tão desnecessárias essas palavras que se tornam essenciais!

Olhos perdidos

Ergui meus olhos cansados em direção aquele rosto,
Tão sincero e angelical. Ainda zonzo e fraco, pensei:
Haverá Deus Santo, beleza como esta no céu?
Os minutos passavam-se e o silêncio imperativo
Refrescava um pouco minha memória, sabia
Estar perdido e sem rumo, mas sentia-me bem!

Conscientemente, como há tempos não ocorria,
Esperei deitado sobre o travesseiro macio e escutando o
Ruído, que ao longe era criado por um rio de mansas águas,
Vencer também aquela batalha, tinha certeza, não seria
A derradeira! Os anos passaram endossando meu pensamento!

Riso Facil

Ria continuamente, tinha um sorriso fácil
Ainda mais com o quadro que se apresentava!
Minutos antes havia feito uma ligação, os dedos nervosos,
Ilustravam com um toque dramático os dias que anteriores.
Lançava agora sua felicidade aos quatro cantos,
Dentro de alguns meses todos perceberiam,
Ali, em seu jovem ventre, estava sendo gerada uma vida!

Orgulhosa como toda mãe, começava a planejar e
Sonhar o futuro do seu bebê. Liliam, com seus 24 anos,
Organizaria o enxoval! Sim, compraria todo tipo de
Roupinha: verde, amarela e branca! Tudo sozinha!
Insegurança não existia em seu dicionário e vida,
Olhava sua barriga ainda enxuta e lisinha.

Desejava vê-la grande, causando certa inveja
Entre suas amigas. Nesse instante, sentiu molhar a face:
Lágrimas começaram a brotar de seus olhos castanhos,
Lembrou-se da reação do namorado e pior,
As palavras que lhe foram ditas ainda rasgam seu coração.

Não acreditou quando lhe propôs abortar! Sente-se
Incomodada até hoje por não ter mandado-o longe.
Não importa mais, são águas passadas - pensa ela, enquanto
Alisa novamente sua barriga - tenho meu anjinho e seremos felizes!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Donna

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos,
transparece clandestinamente
o pensamento a ligar dois pontos incomuns.
Ligeira em seu bailar,
atravessa com altivez inimaginavel
o caminho de gelo e solidão que bate a sua porta.
Na manhã estrelada de sonhos metalizados
Seus olhos redondos notam os meus.
Meu respeitoso admirar passa por indecoroso desejar.
Como se pecado fosse
ou falta grave, sujeita aos castigos mitológicos,
Constatar entre iguais sem sal, possa existir tal ser;
Capaz de roubar a calma e serenar a alma,
mostrar livros e ler destinos,
sendo apenas uma idealização.

Sono


Os olhos queimam ao insistirem
teimam em manterem-se abertos;
e por entre as sombras tatuadas nos muros,
encontro solta, perdida no mundo
a sanidade há tanto esquecida.
Abre seus braços como a convidar
"Vem agarra e leve para tua vida um pouco de mim"
Não! Faço o contrário,
escapo sorrateiro, imaginando tão fora de si a pobre está.
Almeja ser parceira do dissabor,
da eterna inconstância permeada na alma.
Sorrio ao lembrar de que sonhos não carecem de explicação.

Permesso

Te permita,
Conhece a ti mesmo,
devora os livros,
rápido, ligeiro,
lépido e faceiro
Beije sonhos,
respire saudades
Ame ideais,
seja leal as palavras,
E não esqueça;
por entre pautas e linhas
escreves o dourado testemunho
de teu eterno viver!