terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Sonho meu

Inegavelmente ela era o que os bagaceiros de plantão chamariam de “falsa magra”. Era a atenção de olhos treinados que a miravam enquanto mexia os quadris indo de um lado para o outro na repartição. O velho olhou aquele monumento e o corpo desenhado lhe fez estremecer, se havia algo que ele tinha certeza é que havia muito a descobrir por baixo daqueles tecidos e assim começou a esboçar seu plano pecaminoso. 

A todo instante passava por sua mesa e pedia mirabolantes e estapafúrdias tarefas. Tudo para marcar sua presença, se tornar presente e se fazer lembrar. Cada pedido vinha acompanhado de um galanteio canalha e convite para o happy hour com a turma. 

O único inconveniente é que ela parecia um atacante atrevido escapando da marcação dos zagueiros toscos do interior. Escapava sempre pela tangente, largava uma desculpa aqui e outra ali. Sempre aparecia um compromisso inadiável, uma reunião extra ou qualquer outra ação que exigia sua atenção. Apesar de todos estes sinais, ele ainda se mantinha esperançoso. Afinal, era brasileiro e não desistia jamais! 

Sempre a mesma rotina, até a manhã de uma quinta-feira qualquer, quando ela lhe chamou para perto com um aceno de mão. Aceitaria, após o milésimo convite, sair com a turma. Combinaram de se encontrarem perto do bar. Canalha que era não perderia a oportunidade de chegar junto com aquele troféu e causar inveja aos outros mequetrefes da repartição. 

Exatamente no horário combinado ela surgiu linda e sexy como sempre. A blusa justa deixava à mostra a barriga chapada e acentuava o contorno dos seios, a calça preta de cintura alta e fechecler frontal, tudo prometia sem nada entregar, além da perfeição das nádegas voluptuosas. Ele babou, saiu do ar por segundos, a quis em seus braços naquele exato momento. Transportá-la para onde pudesse jogar aquelas roupas em um canto qualquer e descobrir cada sinal seu. Massageá-la com óleo de amêndoas, beijar muito e amar ainda mais. Porém era paciente, não queimaria nenhuma etapa naquela noite. 

A turma recebeu a nova participante muito bem, afinal, sempre era gentil e graciosa e não havia quem não apreciasse sua companhia. Conquistava rapidamente a atenção de todos com sua desenvoltura, sempre participando com coerência das conversas nascidas na mesa. 

Porém, passada as dez badaladas noturnas, seu comportamento se alterou. Começou a ficar agressiva igual às tormentas tropicais. Uma fera selvagem! Cada frase que o velho dizia, ela contrariava; uma palavra mal colocada era contestada e corrigida sem nenhuma cerimônia. O clima ficou pesado e havia apenas uma solução aparente, um único expediente a ser tomado. 

Pessoal, estamos indo embora. Nossa amiga está ficando cansada. Obrigado pela excelente noite! Não se preocupem a deixarei em casa. Largou a decisão e o convite indireto, acreditando que ela não aceitaria, mas para sua surpresa, aceitou. 

Entraram no carro dele e sem rodeios, perguntou o que tinha acontecido para ela mudar da água para o vinho. Não houve resposta. Ela olhava fixamente dentro de seus olhos, conseguindo lhe deixar desconfortável. Pensou rápido e conclui que aquele era o momento de mandar a paciência da noite se danar. 

Puxou-a para perto dele, escorregou a mão pela barriga lisa, abriu o fechecler e deslizou para dentro dela, não encontrando no tato nada que o detivesse ou raspasse os dedos. Ela continuava com o olhar desafiador. O pobre velho não aguentou mais, cerrou os olhos e buscou aquela boca desenhada, a língua a invadiu pela primeira vez, porém encontrou aspereza e imobilidade. Abriu os olhos e não acreditou, ainda estava deitado em seu quarto, enroscado e beijando babados travesseiros de sua cama.

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