Poderia ser mais uma daquelas estórias
perdidas de amor impossível, no melhor estilo Paulo que ama Mariana, que ama
Luiz, que ama José, que ama Ana, que se entrega toda noite para Sandra, porém
era muito mais do mesmo.
Luigi sempre teve uma mente
prodigiosa para guardar aqueles pequenos e imponderáveis detalhes, recorda com
maestria a primeira vez que falou com Monique, como se apresentaram e o que ela
desejava. Existe um ditado popular sobre a impressão inicial que se tem de
alguém, a dele foi que ela era mistério e estes sempre o fascinaram.
Passaram a falar todo dia, manhã,
tarde, noite e madrugada, se apaixonaram sem pressa alguma dos amores juvenis,
até o dia que o inevitável aconteceu. Era uma tarde quente e o telefone tocou,
do outro lado Monique com sua voz inconfundível lhe deu boa tarde e sem nenhuma
cerimônia foi direta – preciso saber e me diz agora, tu largarias tudo para
ficar comigo?
Seu coração disparou, ele sabia a
resposta que queria e deveria conceder, a razão lhe dizia que não havia motivo algum
para sofrimento, somente era necessário dizer sim. Ele hesitou, pensou mais do
que deveria e sem compreender, contrariando seu desejo, disse não. Ali, naquele
instante, sem perceber ou dimensionar, começou a percorrer um caminho sem
volta, sua covardia, assim escancarada selou seus destinos. Sem ter noção ele
abdicou do direito de escrever novos e intensos capítulos daquela história.
Ele queria tanto dizer que ela era
o melhor que acontecera na sua modesta e vazia vida, a paixão mais ardente, o
sexo mais intenso, um encontro de almas com prazo indeterminado para voltarem a
se separar. Não conseguiu. Um dia simples, daqueles que inicia com o nascer do
sol e finaliza com o surgimento da lua, Monique novamente ligou – assim não dá
mais para mim, eu quero, preciso e mereço ser cuidada, me entende, me deixa ir.
Luigi não teve tempo de dizer que
sentia não ter beijado Monique na ponte de pedras coloniais, que se arrependia
de não ter pedido para que ela ficasse aquela noite de verão em sua casa, negou
que somente ela lhe despertara a vontade de ser pai, se arrependia de não ter
subido a serra para uma fugida providencial da loucura da cidade grande. Luigi percebeu
que deveria tê-la abraçado mais, ter caminhado de mãos dadas na orla de Ipanema
com vento contrário e água nos pés. E ela partiu, voou alto, chegou onde
ninguém havia ousado ir.
Passados alguns anos, tardiamente
captou toda a coragem que existia nele e a procurou. Pediu desculpa pelas vezes
que foi rude e grosseiro, estava sendo sincero e desnudo como não era há
tempos. Ela estava feliz, muito feliz, realizada, amada, vivendo como sempre
sonhou. Ele ficara feliz, afinal quem não torce e se compraz com a realização
da pessoa amada? Apesar de amá-la, ela já não caberia mais em seus braços,
talvez alguma brasa voltasse a causar um incêndio e ele não suportaria decepcioná-la
uma vez mais.
Naquele justo momento Luigi
aprender que amar é perceber que a outra pessoa está infinitamente melhor longe
que junto, e em um paradoxo, faz com que o amor não seja justo, mas esta seria
apenas mais uma injustiça solta nestes caminhos da Terra de Vera Cruz.