terça-feira, 19 de março de 2013

Carta aberta a um Irmão


Cara, em algum momento da vida nos tornamos piegas e percebemos que o tempo é implacável, extremamente rápido e não se importa nem um pouco com esta característica. Ele simplesmente não para que possamos corrigir as conseqüências dos nossos atos. Talvez seja o mais belo truque que a vida utiliza para nos colocar nos trilhos e demonstrar que nada somos frente a uma grandeza impossível de ser completamente compreendida, ou seja, o tempo passa e a idade chega.

Fantasticamente uma das maiores vantagens de estar se tornando “velho” é a experiência que esta transformação trás. Percebemos a existência de uma imensidão de questões que estavam escancaradas em nossos narizes, mas tão escancaradas que ficamos, além de estrábicos, míopes. Estupefatos, descobrimos que agora estamos aqui, daqui a pouco quem sabe?

Muitas vezes deixamos de reconhecer quem éramos após a passagem de meses ou anos. As promessas se perdem no espaço, os sentimentos mudam, casais apaixonados se separam, novas amizades se criam, mudamos a preferência do corte de cabelo, provamos novos pratos e assim vamos moldando quem realmente somos ou seremos.

Deixamos escapar palavras brutas que ferem inconsciente ou conscientemente as pessoas, tentamos impor nossos pontos de vista e classificamos como errados todos aqueles que de alguma maneira não comungam com os mesmos princípios enraizados em nosso íntimo.

É um jeito de viver? Sim. É o mais correto? Talvez. Ninguém possui uma receita pronta do que realmente é preciso ser feito, os movimentos são tal o das peças em um tabuleiro de xadrez. As decisões do passado vagarosamente pavimentaram a estrada que nos conduz até o presente e nele devemos planeja nosso roteiro de viagem a o futuro, onde desejamos estar, o que faremos etc.

Uma das grandes verdades é não devemos perder nossa saúde em busca apenas de grana, do status, do possuir mais e mais, e olha que isso não é conversa de socialista ou comunista. Precisamos urgentemente encontrar tempo para ler, estudar, amar, enfim, viver!

Parece estranho escrever isso para a pessoa com quem mais criei conflitos e desentendimentos na vida, um contraponto que surgiu com uma demora de 08 anos, diferente em pensamentos e ações, alguém a quem já magoei na tentativa torta de proteger.

É como se estivesse voltando no tempo e ansiando por recuperar o tempo perdido, reviver às vezes em que fui irmão; é como se neste exato momento me revestisse da capa de irmão mais velho para aconselhar, como se isso fosse preciso!

Te tornaste um homem honrado, cumpridor de deveres e ciente dos teus direitos, enfim, um verdadeiro filho de nossos Pais. 

Para o fim, mas não menos importante, não é demérito ou fraqueza reconhecer nossas falhas, muito ao contrário. Forte é aquele que ao se encarar em um espelho pode se olhar nos olhos e confrontar sua consciência percebendo que há muito ainda para ser feito!

Fez Miojo


“Disse que prepararia o jantar. Fez miojo”.  Extremamente animador para um primeiro encontro, pensei, quem em sã consciência convida para um jantar íntimo e apresenta macarrão instantâneo como iguaria? Parecia tudo muito surreal, aquela mulher alta, cabelos cacheados, maquiada e bem produzida parada frente ao fogão, acompanhando concentradamente as primeiras bolhas de água que começavam a ferver nas duas panelas de pequeno porte.
Suas mãos ansiosas começaram a brincar com os dois pacotes laranjas, enquanto os olhos, vidrados nas panelas, brilhararam. Rapidamente os invólucros foram rasgados e  aquelas massas brancas e sem graça foram mergulhadas naqueles mares borbulhantes. Três voltas dos ponteiros e as panelas foram esvaziadas e as porções colocadas em duas pequenas cumbucas.
 Mexidas estratégicas em ambas. Igual bailarina a “Cheff” pulou para meu lado e pegou uma embalagem de molho branco repousado sobre o balcão. Metade do conteúdo em um recipiente, o restante no outro. Junto a ele foi adicionado salsa, cebolinha, alho e ovos previamente fritos, uma pitada de orégano e pedaços generosos de queijo.
_Está pronto, vamos comer? – indagou – enquanto lia em meu rosto os traços da desconfiança  e incredulidade. Sim, comeríamos miojo em nosso primeiro jantar!
A primeira garfada foi uma descoberta de sabores que se completavam de forma harmônica; uma sensação difícil de explicar ainda mais proporcionada por uma rápida refeição.
_ Não pude deixar de notar teu desapontamento com o jantar tão leve  simples – me disse – mas nunca ouviu que sempre há uma explicação plausível para tudo? Pois então, vou inicia-la com um beijo e terminaremos esta conversa lá no quarto!
A partir daquele dia, me tornei amante de miojo,que sejam sempre vem vindos, rápidos e fáceis de serem preparados mas que proporcionam momentos inesquecíveis, uma verdadeira benção dos deuses para nós reles mortais.

terça-feira, 12 de março de 2013

Saudade, sete letras que choram

Desconheço a autoria, mas é um texto que revisito quando a Saudade chega perto...
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Saudade dói

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade de um gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele ainda continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na internet
e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançado daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o Mc Donald's;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você,
provavelmente, está sentido agora depois que acabou de ler...