Gosto de percorrer as estantes repletas de pensamentos traduzidos em livros antigos, daqueles que já visitaram diversas casas, pessoas, mentes e almas.
Esta busca proporcionou nesta semana, minha ida ao meu sebo predileto em busca de dois livros da autora portuguesa Ines Pedrosa, muito bem recomendados por uma amiga de Santa Maria. Não os encontrei, mas, saí com um exemplar de “Aos meus amigos”, escrito por Maria Adelaide Amaral, livro que acabou inspirando a minissérie da Rede Globo: “Queridos Amigos”.
Enquanto me dirigia ao caixa percebi um homem grisalho percorrendo avidamente a seção de filmes que este Sebo igualmente comercializa. Tinha repousado em suas mãos uma caixa de alguma película e ao chegarmos juntos para pagar nossas mercadorias, lembrei dos ensinamentos de meus pais e deixei que ele passasse na frente.
Por mais que não desejasse, prestei a atenção no diálogo travado entre a balconista e ele, a respeito daqueles filmes. Questionou se havia alguma catalogação para encontrar de forma mais fácil o que desejasse. Ao ponderar que não tinham tal controle a atendente solícita perguntou qual filme ele procurava, assim poderia dizer com que freqüência era comercializado por eles.
O homem disse que seria difícil encontrá-lo, pois era antigo, tratava-se do filme de Daniel Day-Lewis, O Último Moicano. Lembro perfeitamente que a atendente lhe cobrou o valor devido pelo filme, mas antes que ele saísse da loja disse: “O senhor sabe que estamos dando um brinde hoje? Mas não pode contar pra ninguém, é um segredo nosso, ok?”
Para surpresa dele e minha, ela sacou de trás do balcão de atendimento um disco de DVD envolto em plástico transparente. O nome do filme? O Último Moicano! Não acreditei no que tinha presenciado. A reação do homem foi beijar a testa da atendente e sair igual criança com presente novo.
Ela me olhou e explicou que há muito tempo aquele filme estava lá, mas não fora colocado a venda porque perderam a caixa dele e mais, que na semana anterior ela pensara em descartá-lo. Paguei os R$ 10 por meu livro e sai pensando no que havia acontecido.
Teria sido apenas uma feliz coincidência? Obra do acaso? Destino? Seja o que for, se isso acontece com pequenas coisas do cotidiano, o que acaba representando quando algo grandioso ou realmente importante ocorre em nossa vida? Ficamos chorosos porque aquele emprego não deu certo, porque a vaga do estacionamento foi ocupada por outro carro bem à nossa frente, o sinal que fechou na nossa vez, o elevador que não está no andar, enfim, as opções são muitas!
Para mim, aquela experiência serviu como resposta para alguns questionamentos e sorri, porque estava escancarado: nada, mas nada mesmo acontece por acaso em nossas vidas, há sempre uma explicação para nossos questionamentos, resta apenas fazer a pergunta correta!
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