Henry não queria se convencer, parecia impossível que aquilo estava acontecendo com ele. Desistira de entender os pormenores das mentes humanas e decretara nunca ser envolvido em novas teias. Só esquecera-se de combinar o mesmo com Monique. Ela ainda vivia em seus pensamentos, o espreitava a cada amanhecer, fazia-se presente no primeiro piscar dele.
Não adiantava, Henry sempre fora impulsivo; do tipo que batia primeiro para depois inquirir o que fosse. Sua personalidade já lhe rendera inúmeros dissabores e perdas, mas era mais forte, quando percebia incorria nos mesmos erros.
Enquanto se barbeava, lembrava daquela noite em que decidira expulsar Monique. Fora rude o suficiente para se odiar, mas estranhamente conseguia viver bem com sua consciência; a arrogância que o apoderava nos momentos de certeza, contribuíam em muito para um isolamento natural das pessoas em relação a ele.
_ Se você não está certa, não me procure; vai ser melhor para todos! Assim você fica livre e eu em paz, porque sinceramente, agora nada mais importa, passou o tempo simplesmente a vida é assim! Adeus.
Foi a última vez que Henry fora sincero com alguém! Algo havia se rompido dentro dele, não encontrava motivos para voltar o antigo francês falante e pedante. Era diferente; adormecido, perdido no emaranhado de sentimentos e emoções, não se reconhecia mais, era um total estranho, vivendo uma vida sem propósito, onde possuía apenas uma certeza – precisava de Monique – ou pior ainda, talvez lhe tivesse amor.
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