quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Não mereço o céu

Existem coisas que só acontecem com a pessoa. Alguns possuem o dom de atrair chatos, bêbados, impertinentes, por uma força inexplicável da natureza, atraio loucos e carentes. É fato, existe cinquenta pessoas em uma sala, mas o escolhido para aguentá-los, serei eu.
Hoje me deparei com uma situação destas, em que foi decidida para que canto minha alma será encaminhada quando chegar o momento derradeiro da viagem. Pensei que isso já havia sido determinado em um show do Nenhum de Nós quando privei uma mocinha histérica de pegar a baqueta do Sadi, mas isso é outra história. Esta que conto agora foi crucial para que Pedrão (São Pedro para os de fora) quebrasse a cadeira que reservava a sua direita para mim e a jogasse do Paraíso.
Fomos encontrar alguns amigos e no local havia um cidadão que narrava apavorado as noites insones, porque a caixa de descarga é acionada automaticamente sem ninguém usar o banheiro, que ele escuta a noite inteira um cachorro chorar no apartamento ao lado e que não nenhum destes seres lá, que já mudou de quarto porque há alguém que lhe puxa as cobertas, que ao redor da cama surgiu um pó preto, que chove no apartamento e outros enredos fantasmagóricos.
Minha paciência anda mais curta que as mini-saias das mocinhas que fazem favores sexuais em troca de dinheiro e aquela ladainha interminável, precipitou o inevitável. Uma força invisível foi movendo cada neurônio, estes acionaram os músculos da fala e o torpedo foi lançado com força e direção certas
Meu amigo - perguntei - que tipo de químico tens usado antes de deitar? Frente a negativa, emendei um - já pensou seriamente em chamar um exorcista pra resolver essa situação? Nesse momento os olhos do incauto ser atacado pelo invisível se avolumaram. Prossegui - só pode ser essa a explicação, um poltergeist está desesperadamente entrar em contato ou o prédio foi construído sobre um antigo cemitério indígena.
Ele ficou mais alguns minutos com um semblante de quem acusa o recebimento do golpe, deve ter buscado na memória os catecismos de outrora, pensar se havia alguma vela para oferecer a alma penada que não o deixa em paz.
Por fim ainda escutei de alguém presente - ao invés de acalmar o sujeito, tu faz exatamente o contrário!!! Nesse momento foi São Pedro me puxando a orelha, talvez o peteleco do além, tenho certeza, ou não!