quinta-feira, 23 de setembro de 2010

São Sebastião

Fiz promessa a São Sebastião
tire de meu peito toda a paixão,
se por bem não podes intervir
deixe ir para longe aquela a quem quis,
O Santo, pobre coitado, minhas súplicas
entendeu errado, pois que ao sair,
encontro-a com uma rosa na mão,
o rosto corado e um cartão,
nele escrito lia-se "te amo coração"

A Menina Dourada

Quedou-se a observar, por entre a fresta da porta o sono da Menina Dourada. Olhava com satisfação, imaginando o que ela falaria quando despertasse, quais seriam suas primeiras reações. Apreciava a forma como ela abria os olhos após um longo espreguiçar; soltando seus primeiros sons matinais; mistura de gemidos de preguiça com ais de satisfação por um novo dia poder desfrutar. Sabia tanto dela quanto de física quântica, duas incógnitas neste mundo de imperfeições e indagações profundas. Desejava mais, muito mais do que os olhos podem enxergar, queria pisar em solo onde nenhum outro homem havia estado. Queria desnuda-la com perfeição, descobrir em cada ponto de sua alma os sonhos e anseios mais profundos. Pouco lhe importava o que outros diriam, possuí-la carnalmente não era o bastante, ele poderia mergulhar de cabeça, sem proteção e oxigênio em busca do mapa que lhe mostraria o melhor meio de alcançar seu objetivo.

A Menina Dourada, imaginava ele, estava distante. Separados por mundos de ilusão, onde as flores nasciam nos telhados das casas e o sol brilhava a noite, não haveria possibilidade de seus caminhos cruzarem. Ainda imaginava se aquela pessoa deitada em sua cama, tapada com fino lençol de seda seria ela. Não possuía certeza de mais nada e tão pouco lhe fazia questão de tal, lhe importava o respirar profundo, lavando a alma, abrindo caminho para a expedição que disposto iniciara.

Já era tempo, no relógio da cabeceira mostrava-se 7 horas, os primeiros raios de sol lambiam as paredes do quarto de paredes clara, e mais bela era a cena, possível de imaginar apenas nas telas dos mais célebres pintores. Estava exausto da espera, a expectativa inundara sua mente, olhava incessante o ponteiro do contador de tempo e eis que minutos após sua ultima divagação a menina retoma as rédeas do ser, abre os olhos repetindo todo o ritual diurno e ao fita-lo, com voz beirando a sensualidade fatal e o autoritarismo radical, lhe diz; “me trás o café?”.